Ignácio de Loyola Brandão é novo imortal da Academia Brasileira de Letras

Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu por unanimidade, o escritor Ignácio de Loyola Brandão como o novo imortal da academia. Ele vai ocupar a cadeira 11, vaga desde a morte do sociólogo e cientista político Hélio Jaguaribe, morto em setembro do ano passado.

A candidatura de Ignácio, teve vários apoiadores no Rio de Janeiro, onde vive a maior parte dos imortais, e de São Paulo, onde o autor teria apoio de nomes como Celso Lafer e Lygia Fagundes Telles. O candidato também escreveu a biografia da antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008), mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é imortal.

Além disso, os últimos dois eleitos o cineasta Cacá Diegues e o jurista Joaquim Falcão não eram escritores, o que abriu espaço para o novo escolhido ser alguém que viesse da literatura. Na prática, Brandão concorria como candidato único. O anúncio de que apresentaria sua candidatura afastou eventuais interessados de peso como ele, disputava uma série de autores desconhecidos, que sempre surgem quando há uma vaga na instituição fundada por Machado de Assis.

Biografia

Ignácio de Loyola Lopes Brandão nasceu em Araraquara, São Paulo, em 1936. Romancista, contista, cronista, jornalista. Filho de Antônio Maria Brandão, funcionário da estrada de ferro de Araraquara, cidade do interior paulista, e de Maria do Rosário Lopes Brandão. Conclui os estudos primário e ginasial na cidade natal. Adolescente cinéfilo, escreve críticas de cinema para jornais locais. Funda o Clube de Cinema de Araraquara e conclui o curso científico. À semelhança de outros colegas de geração, como o encenador e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, muda-se para São Paulo em 1957, contratado como repórter do jornal Última Hora.

 

Viaja para Roma, disposto a se tornar roteirista dos estúdios da Cinecittá. Durante a estadia, trabalha como colaborador do Última Hora e da TV Excelsior. Publica seu primeiro livro, Depois do Sol (1965), volume de contos. É redator da revista mensal Claudia. Lança seu primeiro romance, Bebel que a Cidade Comeu (1968), adaptado para o cinema pelo diretor Maurice Capovilla (1936). Nesse mesmo ano, recebe o Prêmio Especial do 1º Concurso Nacional de Contos do Paraná por Pega ele, Silêncio, coletânea de contos. Inicia a redação do romance Zero (1974). Livro que ele se inspirou em histórias que não saíram no jornal por conta da censura.

 

Com a ajuda do colega de redação e dramaturgo Jorge Andrade, chega à versão final de Zero. Recusado pelas editoras brasileiras, o romance é publicado na Itália. Em 1975, Zero é publicado no Brasil para, a seguir, ser censurado e ter a venda proibida no país. Lança novo romance, Dentes ao Sol (1976), o livro de contos Cadeiras

 

Proibidas (1976) e o infantojuvenil Cães Danados (1977). Viaja à Cuba como júri do Prêmio Casa de Las Americas. A aventura na ilha de Fidel rende o livro-reportagem Cuba de Fidel: Viagem à Ilha Proibida (1978). O livro Zero é liberado pelo governo militar. Loyola deixa o jornalismo para se dedicar à literatura. A convite da Fundação Fullbright, vai aos Estados Unidos como conferencista. Publica o romance Não Verás País Nenhum (1981). Viaja para Berlim, a convite da fundação cultural Deutscher Akademischer Austauschdienst, onde vive por 16 meses. De volta ao Brasil, publica Cabeças de Segunda-feira (1983), livro de contos, e O Verde Violentou o Muro (1984), baseado na experiência alemã. Assume a vice-presidência da União Brasileira de Escritores. Lança os romances O Beijo não Vem da Boca (1985) e O Ganhador (1987).

 

O autor, que é cronista no jornal O Estado de S. Paulo, ficou 16 anos sem publicar romances. Nesse meio tempo, escreveu livros infanto-juvenis (ganhou o Jabuti nessa categoria, em 2008, por “O menino que vendia palavras”). Também escreveu uma biografia da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e um relato autobiográfico. No ano passado, publicou “Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela”, uma distopia transcorrida em um futuro indeterminado, no qual todas as pessoas recebem tornozeleiras eletrônicas e são vigiadas de perto ao nascer.

 

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