Livros da Literatura Brasileira que Você precisa Conhecer

Ao contrário do que alguns dizem, a literatura brasileira é riquíssima e repleta de tesouros. Um oceano de obras-primas que, se lidos com a devida atenção ao momento histórico que a história conta, a psicologia que envolve os protagonistas e aos lugares torna-se quase impossível não se apaixonar pela leitura brasileira. E para fechar o mês da literatura nacional evidenciando a qualidade dos nossos livros, elencamos dez que são essenciais para conhecer um pouco mais sobre a literatura nacional.

O cortiço, de Aluísio Azevedo (1890)

É uma obra focada numa habitação coletiva, o cortiço São Romão, retratando o cotidiano de seus moradores, suas lutas diárias pela sobrevivência. Centra-se também na ascensão social de João Romão, o proprietário, imigrante português disposto a tudo para enriquecer e subir na vida.

João Romão, homem do povo, imigrou para o Brasil em busca de uma vida melhor. Dono de uma pedreira e de uma venda, consegue comprar algumas casas – inicialmente três, passando depois a noventa – com a ajuda de sua companheira Bertoleza, uma escrava fugida. Através de pequenos furtos de materiais de construção, o cortiço vai aumentando.

 Dom Casmurro, de Machado de Assis (1899)

O romance é narrado em primeira pessoa por José Bento, o Bentinho (apelidado, na velhice, de Dom Casmurro, por viver recluso e solitário), que tenta reviver emoções afetivas com o objetivo de reconstituir o passado e sua história amorosa com Capitolina (apelidada Capitu). Torturado pelo ciúme, por não saber se Capitu havia ou não o traído com o amigo Escobar, Bentinho não consegue mais suportar a presença da mulher e do filho Ezequiel. Decide, então, separar-se deles.

Em seguida, faz uma viagem com a família à Europa, onde ficam Capitu e Ezequiel. Bentinho volta sozinho ao Brasil. Após alguns anos, Capitu morre, sem ter retornado ao País ou revisto o marido. Ezequiel, já moço, faz uma única visita ao pai, morrendo pouco depois numa viagem de estudos ao Oriente. Bentinho, já velho, fecha-se cada vez mais na sua vida solitária, quando passa a ser chamado de Dom Casmurro. É nessa fase que decide escrever a história de sua vida.

Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (1915)

O Triste Fim de Policarpo Quaresma é uma obra do escritor pré-modernista Lima Barreto (1881-1922). Trata-se de um dos maiores clássicos da literatura brasileira do período.

Dividida em três partes, ela foi publicada em 1911 nos folhetins do Jornal do Comércio. A obra integral foi publicada em livro em 1915.

O romance relata a história de Policarpo Quaresma, um funcionário público que pretende valorizar a cultura do país.

A história tem início em fins do século XIX e tem como espaço a cidade do Rio de Janeiro. Ali, Quaresma é o subsecretário do Ministro de Guerra.

Uma de suas ações é propor ao Ministro o reconhecimento da língua tupi, como língua nacional. Isso porque ele tem uma postura nacionalista forte e segundo ele, os índios são os verdadeiros brasileiros.

 Macunaíma, de Mário de Andrade (1928)

Macunaíma” é fruto do conhecimento reunido por Mario de Andrade acerca das lendas e mitos indígenas e folclóricos. Dessa forma, pode-se dizer que a obra é uma rapsódia, que é uma palavra que vem do grego e designa obras tais como a Ilíada e a Odisséia de Homero. Para os gregos, uma rapsódia é uma obra literária que condensa todas as tradições orais e folclóricas de um povo.

Há, ainda, uma aproximação ao gênero épico: à medida que o livro narra, em trechos fragmentados, a vida de um personagem que simboliza uma nação. Sobre a acepção musical dada pelo dicionário, chama atenção o improviso da narrativa, que impressiona e surpreende a cada momento, tendo como pano de fundo a cultura popular.

São Bernardo, de Graciliano Ramos (1934)

Publicado por Graciliano Ramos em 1934, São Bernardo é um clássico da segunda fase da literatura modernista. Através do romance, dividido em trinta e seis capítulos, ficamos conhecendo o protagonista Paulo Honório e a dura vida no interior do nordeste brasileiro.

Paulo Honório é o personagem central do romance modernista escrito por Graciliano Ramos, é através dele que conhecemos a dura realidade do nordeste brasileiro. Criado sem pai nem mãe, sem nenhuma espécie de afeto, o rapaz envolve-se em uma confusão por conta de uma namorada e vai parar na cadeia. Lá passa três anos e torna-se ainda mais frio e violento.

Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto (1944)

A criação de João Cabral de Melo Neto é a primeira da lista composta exclusivamente em versos. Considerada pela crítica como uma obra regionalista e modernista, o livro conta a história de um retirante nordestino chamado Severino.

Os versos dramáticos narram a viagem do sujeito rumo à vida nova, fugindo da seca. Depois de passar por imenso sofrimento – fome, solidão, miséria, preconceito – Severino resolve se suicidar. O nascimento de uma criança é o que o demove de tão severa decisão.

Grande sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (1956)

É uma das obras mais emblemáticas do escritor brasileiro modernista João Guimarães Rosa e uma das mais importantes da literatura brasileira.

Foi traduzida para muitas línguas e recebeu diversos prêmios, dos quais se destaca o Prêmio Machado de Assis, recebido em 1961.

Por meio de uma linguagem coloquial, regionalista e original, a história do romance acontece em Goiás e nos Sertões de Minas Gerais e Bahia. A obra retrata as aventuras e peripécias do ex-jagunço Riobaldo e de seu grande amor: Diadorim.

A hora da estrela, de Clarice Lispector (1977)

A hora da estrela é uma das preciosidades compostas pela escritora Clarice Lispector. O narrador Rodrigo S.M, conta a história de Macabéa, uma nordestina que vive sozinha no Rio de Janeiro. Sem ser especialmente qualificada nem bonita, Macabéa é uma jovem alagoana de 19 anos que sempre passa despercebida.

No Rio de Janeiro, trabalha como datilógrafa, vive em um quarto, come ao almoço cachorro-quente com Coca-Cola e, nas horas vagas, ouve rádio. Um belo dia conhece um também imigrante olímpico, e começam a namorar. O rapaz, metalúrgico, trata-a muitíssimo mal, e, por fim, a troca por uma colega, Glória.

Morangos mofados, de Caio Fernando Abreu (1982)

A busca, a dor, o fracasso, o encontro, o amor e a esperança estão presentes na série de contos que se entrelaçam como se fossem um romance nesta obra.

Horas de desespero, Pedro Bandeira (2008)

Um grupo de presidiários foge da prisão levando o diretor como refém. Um dos condenados sugere que o grupo se esconda na escola da favela, onde ele estudou e que conhece muito bem. Os alunos e professores também são feitos reféns e a polícia cerca a escola. Os bandidos ameaçam matar as crianças, caso seus pedidos não sejam atendidos. Somente com muita coragem e heroísmo essa situação poderá ser resolvida sem que vidas sejam perdidas.

Gostou da nossa lista? Para saber mais sobre essa obra e muitas outras da literatura brasileira, vá até a livraria Nobel mais próxima e encante-se com a literatura nacional.