A presença do Carnaval nos Livros

Não foi só na passarela do samba que a festa popular e a literatura se uniram. Diante da importância cultural do Carnaval brasileiro, muitos autores se debruçaram sobre tema, escrevendo livros que retratam a história e as principais características dessa festividade.

 

A literatura reflete as características sociais e políticas de um povo; por essa razão, ao observamos a história da literatura brasileira, por exemplo, encontramos textos com as impressões de navegantes e de padres jesuítas; as campanhas em prol da república e da abolição; a descrição da vida no sertão e a fome; o desejo político de uma vida justa para todos. Nossa literatura também é rica na descrição de nossas manifestações populares e o carnaval brasileiro foi citado por diversos autores.

 

Carnaval na Literatura

 

Em 1919, Manuel Bandeira publicou a coletânea carnaval, que reunia poemas escritos entre 1978 e o ano da publicação. Um desses textos é o Bacanal, cujo título alude à permissividade do período festivo e também a uma suposta origem da festa:  as celebrações em homenagem ao deus Baco.

 

Em 1925, Aníbal Machado publicou o conto A morte da porta-estandarte. A narrativa cita alguns importantes pontos do Rio de Janeiro.  O primeiro é Madureira, bairro da zona norte, associado a duas tradicionais escolas de samba:  Portela (fundada em 1923) e Império Serrano (fundado em   1947).O  segundo é a Praça  República e a Praça Onze, palco dos desfiles das escolas de samba e blocos carnavalescos.

 

Em 1931, Jorge Amado publicou seu primeiro romance, O país do CarnavalO autor, então com 19 anos, trazia para a literatura brasileira a descrição de uma das principais festas do país. O personagem principal, Paulo Rigger é um   brasileiro que   não se identifica com o Brasil e a sua cultura festiva.  O rapaz passara anos estudando em Paris e o seu   retorno à terra natal é   um período conturbado: após estudar tanta filosofia e política, Rigger considera a festa popular uma   forma de alienação.  Em   1937, o livro foi considerado subversivo   pelo Estado Novo e os exemplares, queimados em praça   pública. Em Dona Flor e seus dois maridos, publicado originalmente em 1966, Amado usa a festa novamente; dessa vez, para caracterizar Vadinho, o primeiro marido da protagonista, aquele que morrera na festa do Momo.

 

Livros e Folia

Carnaval e literatura se misturam como as águas do rio e do mar numa explosão. O carnaval vem caudalosamente, trazendo a festa popular que toma conta das cidades, fazendo os foliões invadirem as ruas em blocos, cantarem marchinhas e jogarem confetes. Trazendo as escolas de samba que atravessam as avenidas, exibindo cores e alegria.

No contexto da festa, o carnaval se mescla com a literatura; a cultura carnavalesca é feita de histórias, sejam reais ou fictícias. Estes quatro dias de festa viajam no tempo, do passado ao presente, as pesquisas vestem os diferentes personagens que transfiguram as pessoas em fantasias e máscaras. A exemplo disso é o trio amoroso Colombina, Pierrot e Arlequim, criado no teatro de rua da Itália no século XVI, Commedia dell’Arte.

A literatura é vida e o carnaval faz o lúdico transbordar. Ambos trazem a memória da existência humana. Além do que o carnaval faz a criança se acostumar com a literatura, incentiva a leitura, até a pesquisa, uma vez que as escolas de samba não se apresentam sem o estudo profundo dos fatos

A literatura é companheira de todas as situações por nós vividas. Inclusive e principalmente na festa carnavalesca. Para conhecer mais livros sobre o carnaval, corra até a Nobel mais próxima e confira o nosso acervo de livros de histórias vividas no carnaval.